Tuesday, September 19, 2006

o monstrinho do cemitério

todo mundo que vai ao cemitério de noite só quer ver mula-sem-cabeça, vampiro e alma penada. tem uns que querem fazer macumba, mas estes são poucos. e tem uns que são mórbidos mesmo.

por esta razão o monstrinho do cemitério se sente intimidado e inseguro. ele pensa: "não tenho os caninos do drácula, mas tenho imaginação, pôxa, chuif". ele tenta tomar coragem, mas ninguém reporta sua presença no mundo, esta humanidade ingrata.

o monstrinho do cemitério quer ser pop star. mas não há jornal que verifique sua presença, seja por medo, sugestão ou inquérito.

ele mora numa cova rasa, mas é só pra assustar. ele enfiou na cabecinha que quem mora em cova assusta, mas estamos por demais acostumados com essa condição.

o problema do monstrinho que mora no cemitério é que ele é bonito. não adianta maquiagem, a gente vai achar ele fofo. correndo pra lá e pra cá, puto da vida, fazendo cara de mau, mas tudo que a gente quer é botar ele no colo e levar pra casa, engaiolar. (porque a gente sempre quer engaiolar o que ama, assassinos que somos).

ele aprendeu recentemente a dar pum com um bêbado que mora no parque em frente ao cemitério. grande pum. um zumbidinho de nada, um boneco esse monstrinho. um pândego, quer aprender a ser monstro com um bêbado triste de parque.

ele seria um verdadeiro monstro de cemitério caso se catapultasse para o mundo fora dos muros dos mortos, mas como ele prefere o silêncio dos mortos à loucura dos vivos, continuará terno como a fruta temporã, ah a maldição (condição) da doçura eterna...

Monday, September 11, 2006

disraeli cizânio

domênico, entra já.

que de repente o rabo enrola, a língua engrola e o diabo some.
o dia nasce, a fruta parte e o arroz incha, a veia salta, o dia morre, o sono toma a terra.

o medo das sensações avarentas como solidão e desespero acorda o monstro disraeli, que não gosta de frescuras. monstro mutilado em todas as suas parte mais afáveis, ele vem ao mundo tirar o doce das crianças (e dos adultos).

disraeli não raciocina.

impregnado de si, tira dos vivos aquilo que já acreditavam tirado, mas que ainda existia ali, no pé das coisas boas do quintal, rútilo como as frutas maduras em estado de comilância.

menina e menino que não roubam goiaba madura entram pra lista negra de disraeli. quem não rouba beijo também. quem não sente o gosto da fruta porque o cacho do vizinho parecia mais maduro.

sai, disraeli. ufa, hein.

que a gente aqui em casa vibra com os sabores das coisas que para aqui dentro trazemos e não queremos mais o medo de perdê-las, essa angústia pessimista de monstro.

vai disraeli, virar bola de pelo de shitzuzinho aparado no verão, vai dormir de novo que de ti eu num gosto não. vai enfiar sua lista negra no espaço, vai sobrevoar as negruras, vai-te!

jujuba colorida, solzinho de primavera, aeroportos e aviões alegres! tururu-tururuzão! vai-te disraeli que aqui não te queremos não!

Tuesday, September 05, 2006

O Pior!

De todos os monstros que cabem num dicionário, o pior, o maior, o mais feio de todos, aquele capaz de transformar o maior herói num maricas chorão, o monstro que só de pensar nele os calafrios se enchem de arrepios, o ser maléfico mais diabólico e perverso do universo todo, chama-se Saudade e cabe no espaço exíguo do coração.
Saudade de quem está distante. Saudade de quem já mudou pro andar de cima. Não há monstro tão poderoso quanto a Saudade.
A genêtica da Saudade é boa. Sua mãe é o amor. Seu pai, o espaço. Mas há quem diga que o tempo contribuiu na sua criação. E o tempo, como todo mundo sabe, é um tirano sem coração que, como diria Chico, pinta rugas ao redor da boca do artista.
A Saudade não pode ser morta diretamente. Para matá-la, é preciso matar sua mãe ou seu pai. Infelizmente, nem sempre isso é possível...

Friday, August 18, 2006

O Monstro que mora debaixo do chão!



Você já teve o prazer de conhecer o monstro que mora debaixo do chão?!
Pra conhecê-lo, assista ao curta As coisas que moram nas coisas!!!

O curta As coisas que moram nas coisas fará parte da mostra Panorama Brasil no 17º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que se realizará de 24 de agosto a 2 de setembro de 2006.

Programação do curta “As coisas que moram nas coisas”
Cinesesc (Rua Augusta, 2075): 28/08/06 - 20:00
Museu da Imagem e do Som - MIS (Av. Europa, 158): 29/08/06 - 21:00
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000): 30/08/06 - 16:00

No dia 28, no Cinesesc, tem votação do melhor curta. Votem na gente!!!

Saturday, August 05, 2006

Depoimento Exclusivo: O Ranca-Rabo

O Dicionário dos Monstros desceu a profundezas abissais para conseguir esse depoimento exclusivo com o Ranca-Rabo!

"Bom, tudo começou quando eu morri e fui enfrentar meu julgamento eterno. Deus não estava presente, mas me vieram com aquele papo de onisciência e tal e eu, crente na justiça divina, segui confiante. Ora, sem falsas modéstias, fui um ser humano dos melhores [...]. Santo Antônio leu minha ficha com um sorriso nos lábios, mas Belzebu entrou com um único argumento: eu me masturbava regularmente.
"Belzebu afirmou que se fosse uma coisa periódica, a defesa podia até alegar que fora um ou outro momento de fraqueza e tentação. Mas eu me masturbava diariamente. [...] Assim, não tive nem direito ao purgatório. Fui mandado direto para o inferno, até o fim dos tempos.
"Tentei me adaptar, como todo brasileiro. Sofria terrivelmente, sempre calado, sempre tentando descobrir que lado do lombo oferecer para a chibatada doer menos, [vira as costas, mostrando o movimento] ou o que fazer depois de ser cozido por 34 dias seguidos.
"Aí, de repente, me bateu uma revolta desesperançosa. Quer dizer - pensa bem - o que de pior podia me acontecer? Eu já tava no inferno e já era para o resto dos tempos! Comecei a ficar malvado: Lutava com unhas e dentes antes de ser levado para uma tortura! Era dedo no olho do capeta, mordida na bunda do diabo, pescotapa em tudo que era Exu que passasse.
"Descobri algo fantástico: Arrancar rabo dos demônios é relativamente fácil. É dar uma mordida das boas na base e puxar pela ponta, com as duas mãos, tomando cuidado pra não se fincar... [...] Tenho uma coleção de mais de 80 rabos, hoje. [Pega um dos rabos pendurados na parede da caverna onde mora] Esse aqui é o que mais me orgulho: é do papa Pio II.
"Não posso dizer que ganhei a luta, mas vou dando trabalho. Melhor que ficar por aí baixando a cabeça, né?"

Thursday, July 20, 2006

lorem ipsum

da série REVELAÇÕES:

lorem ipsum, ou lipsum para os íntimos, é um monstro pré-cristão que assombra espaços vazios de qualquer natureza. atenção: todo cuidado é pouco com monstros, principalmente com aqueles que nasceram para ocupar lugares vazios de design, peças gráficas e de alma.

afinal, meus caros, espaço vazio é o que mais sobra por aí, na natureza e em todos nós, prontinho para ser habitado por lorem ipsums ligeiros e arrendatários.

pense em todos os buracos pelos quais flutuam ar e vácuo no seu corpo e no seu espírito de noite. é justamente lá que eles querem lipsumdar. muito cuidado nessa hora.

agora um pouco de história monstrífera:

o nosso lipsum tava lá, mortinho, quieto na dele, no país das línguas mortas e enterradas desde 45 a.c., quando uma besta de um tipógrafo (claro, o tataravô desta raça ambígua também conhecida como webdesigner), no ano da graça de 1500, resolve copiar um trecho em latim de um escrito pré-cristão, atribuído a cícero, que diz assim:

"Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum."

o cara gerou uma tipografia com este texto, achou bonito e distribuiu por aí, lá na época em que cabrais procuravam índias e descobriam brasis. nosso lorem ipsum foi então acordado de seu sono imemorial e resolveu jacumbelar por aí (obs: monstro não apronta, jacumbela).

há mais de cinco séculos tacamos este texto em layouts obtusos quando dá aquele vazio de alma e preguiça de escrever conteúdo. é que o lipsum é, na verdade, um comedor de conteúdo alheio.

o que o tipógrafo (portuga, provavelmente) não sabia era a tradução da evocação reproduzida lá em cima.

desde então, a humanidade vem sendo assombrada por duas pestes: o demônio loiro lorem ipsum e os webdesigners cabeludos.

se um dia você acordar com falta de conteúdo, e sua carteira de identidade estiver lotada de "lorem ipsum", das duas uma: ou você foi assombrada(o) de noite pelo monstro, ou você casou com um designer.

e tenho dito.

*para saber mais: clique aqui.

Saturday, July 15, 2006

o proconstro


o proconstro é o procon dos monstros.

é lá que monstros e monstrólogos encontram espaço para notificar assustamentos malfeitos, delação de monstros e monstrólogos e qualquer tipo de revelação relevante, como, por exemplo, o dia em que o zé monstrinho filho da loura-do-banheiro foi assustar uma criança durante um treinamento do pré-primonstrário e o menino bocejou no nariz do zezinho, o que lhe causou um trauma mônstrico horrível que deve durar durante toda a sua carreira monstrífera.

neste caso, a assembléia mônstrica determinou que o pirralho que bocejou verá monstros quando crescer, humpft.

e a entidade que vos fala recentemente registrou uma reclamação mônstrica no proconstro. é que fui convidada para participar de um congresso humano sobre a geo-arquitetura planetária, e desenvolvi especialmente para a ocasião o meu paper sobre a geo-arquitetura afetiva mônstrica, que foi muito xoxada durante o congresso (ódio! salamandras de ódio!).

é que pesquisando, ainda chancelada pelo governo finlandês (ai, como sou corporativa), descobri que na antiga pré-monstrória, muito antes de homens, macacos e mesmo dinossauros habitarem a terra, os monstros curtiam por aqui um belo domingo de sol.

em verdade, descobri que eles foram extintos porque os deuses olímpicos, invejosos da liberdade de espírito dos monstros, determinaram que toda fêmea monstra e todo hermafrodita monstro morresse congelado quando fizesse amor com seu parceiro/parceira.

por isso as regiões mais montanhosas do planeta são aquelas onde se fazia mais sexo mônstrico (beeeeem superior ao tântrico, by the way) e onde mais morreram monstrinhos felizes - note as curvas das tetas e bundas mônstricas na paisagem, em cima dos quais cresceram grama, terra, folhagem, gelo, pico, vista, emoção.

por isso é que mina gerais é o estado mais sexo-afetivo do planeta, e tenho dito.

ces acreditam que riram desta minha tese perfeita? proconstro! quero uma atitude já!

humpft.
eXTReMe Tracker